domingo, 23 de janeiro de 2011

Questão sobre os gestos de alguns frutos: maracujá, meloa, romã, tangerina

Olá, boa tarde! Gostaria, se possível, que fizesses um vídeo com os gestos para as palavras: maracujá,meloa, romã e tangerina. Obrigada, Joana.


Gestos: «maracujá», «meloa», «romã» e «tangerina»:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Questões sobre gramática da LGP

Olá a tod@s!

Em 1º lugar peço desculpa por só agora actualizar este blog, mas ultimamente a minha vida tem andado uma correria.

Peço desculpa especialmente ao Tiago H., que há + de 1 mês me colocou estas perguntas e só agora ter podido responder.

Bem, aqui ficam então as perguntas que me foram colocadas, através de um comentário ao meu post anterior, e a respectiva resposta (como estas dúvidas de gramática da LGP poderiam também surgir a outros visitantes do blog, decidi fazer um post para as responder, em vez de o fazer também como um comentário):

«Não sei como me arranjei, mas publiquei o meu comentário num post mais abaixo a pensar que era o primeiro:

Olá! Era possivel dares algumas noçoes de gramatica? por exemplo, sei dizer varias palavras, mas como as ligo numa frase? faço os gestos seguidos? Por exemplo, frases simples:
"Que horas são?" - faz-se o gesto "horas" e dps o gesto do verbo "ser" e depois o getso de "pergunta" ?

Ou para dizer: "Estou muito feliz de estar aqui", faz-se os gestos: "verbo estar" + gesto "muito" + gesto "feliz" + gesto "verbo estar" + gesto "aqui".

Já agora, como se sabe que terminou uma ideia e começou outra? Em LG faz-se uma pausa e muda-se a entação de voz, à gestos que servem o mesmo objectivo?

Outra questao n relacionada, existe o equivalente de "sotaque" na LGP? Ou seja, certas formas de fazer gestos que te permitem perceber se aquela pessoa tem o ASL como primeira lingua? (assim como percebemeos pelo sotaque se alguem é ingles ou alemao, por exemplo)

E claro, tb tenho de deixar ficar o meu elogio por esta excelente iniciativa!»



Olá.

A LGP tem a sua própria estrutura frásica, diferente da do português, por isso não se deve gestuar uma frase traduzindo palavra a palavra, tal e qual como esteja escrita em português, pois isso é fazer o que se chama de "português gestual" (gestos de LGP com estrutura frásica do português) e não verdadeiramente Língua Gestual Portuguesa (gestos da LGP com a estrutura frásica própria da LGP).

Para esclarecer a regras gerais de construção frásica da LGP:

No português a estrutura frásica é SVO (sujeito-verbo-objecto). Por ex, na frase "Eu comprei um livro." "eu" é o sujeito, "comprei" é o verbo, "um livro" é o objecto.

Na LGP a estrutura frásica predominante é: SOV (sujeito-objecto-verbo). O verbo aparece no infinitivo e no fim da frase. Por isso a frase que exemplifiquei ficaria "EU + LIVRO + COMPRAR//" Esta é a regra geral, para as frases afirmativas. Nalgumas situações também é aceitável a estrutura OSV (objecto-sujeito-verbo).

Para se realizar uma frase na negativa, dependendo da frase em específico, pode-se ou acrescentar o gesto /NÃO/ no fim da frase neutra; ou realizar-se simultaneamente a frase neutra e o movimento natural (da cabeça) referente a /NÃO/;

Para se realizar uma frase interrogativa pode utilizar-se um pronome interrogativo como “quando” ou “quem”, por ex, que frequentemente aparece em final de frase (ao contrário do português). Mesmo com o pronome interrogativo, a expressão facial interrogativa é muito importante.

A 2ª possibilidade da construção de uma frase interrogativa pode realizar-se através da frase afirmativa com a expressão interrogativa ao longo da frase. (esta situação também é válida para a construção de frases exclamativas – com a utilização da respectiva expressão facial exclamativa ao logo de toda a frase).


Outras questões gramaticais da LGP:

Quanto à concordância de género, número e marcação de tempo verbal:

A concordância do género:

Nos seres humanos:

Marca-se por um gesto diferente: por exemplo, no par /PAI/ e /MÃE/; ou

Marca-se o feminino por prefixação (Ex. /IRMÃO/ e/IRMÃ/);


Nos seres animados não humanos:

Marca-se por um gesto diferente (ex. /CARNEIRO/ e /OVELHA/); ou

Marca-se o feminino por prefixação (ex. /CÃO/ e /CADELA/); ou

Marca-se por sufixação (ex. /CABRA/ e /BODE/);

Os seres inanimados não apresentam marcação de género.


Concordância de número

No plural por repetição do gesto; por ex. em /ÁRVORE/ e /ÁRVORES/; ou

No plural por redobro (ex. /PESSOA/ e /PESSOAS/); ou

No plural por incorporação do numeral, como em /LIVRO + CINCO/, ou por incorporação de determinativo, como em /LIVRO + MUITOS/.


A marcação do tempo verbal

A marcação do passado:

Pode ser feita pela adição dos gestos /PASSADO/ ou /ONTEM/ à forma do verbo neutro;

Passado longínquo: repetição sucessiva do gesto adicionado à forma neutra do gesto;

O acréscimo de repetições e afastamento do corpo aumentam a distância temporal;


A marcação do presente:

Pode ser feita pela simples utilização do verbo neutro; ou

Pode ser feita pela adição dos gestos /HOJE/ ou /AGORA/ à forma neutra do verbo;


A marcação do futuro:

Pode ser feita pela adição dos gestos /FUTURO/ ou /AMANHÃ/ à forma neutra do verbo;

Futuro longínquo: repetição sucessiva do gesto adicionado à forma neutra do verbo;

O acréscimo de repetições e afastamento do corpo aumentam a distancia temporal.


Em relação às outras questões que me colocou:

Para se saber quando terminou uma ideia e começou outra, há elementos na própria conversa, como a entoação, a expressão facial, uma pequena pausa, que nos indicam isso mesmo (tal como acontece numa conversa em português ou outra qualquer língua oral). Não existe um determinado gesto que indique essa mudança de ideia ou conversação.

Isto numa conversa em LGP, porque se se tratar de glosa (passar para um registo escrito com a estrutura da LGP - como fiz acima quando exemplifiquei a ordem dos gestos numa frase em LGP-), existem os símbolos / (que indica uma pequena pausa, o equivalente a uma vírgula) e o símbolo // (que indica o fim de uma frase, o equivalente a um ponto final).


Sobre a questão do sotaque, bem, cada país tem a sua própria língua gestual, derivado também a influência que a cultura da comunidade surda de cada país exerce na criação e desenvolvimento da sua própria língua gestual. Isto significa que, cada país tem um gesto diferente para as mesma ideias, conceitos, objectos, etc...

Os gestos diferirem de país para país não se trata de "sotaques" diferentes, mas sim de línguas gestuais diferentes, autónomas e independentes entre si (embora algumas, por razões histórias possam ter a mesma base, e, portanto, certas semelhanças nalguns gestos.)

A título de exemplo, se um surdo norte-americano, que utilize a ASL, faça o gesto «I love you» em ASL (comummente muito conhecido!), e não o gesto para a mesma expressão, mas em LGP (que é um gesto muito diferente), eu sei que esse surdo é americano, pois utiliza gestos da ASL.
A diferença está nos próprios gestos serem diferentes de língua gestual para língua gestual. Por aí se nota a nacionalidade e qual a língua gestual que esse indivíduo aprendeu e utiliza.

Ainda sobre sotaques, mesmo dentro do próprio país, na mesma língua gestual, existem gestos que variam de região para região (chamam-se regionalismos).

Em Portugal notam-se bastante esses regionalismos na LGP entre gestos do norte (por exemplo no Porto) e gestos do Sul (por exemplo, utilizados em Lisboa). Por vezes são gestos totalmente diferentes para o mesmo objecto/ideia/conceito; outras vezes são apenas pequenas diferenças (por exemplo, têm a mesma configuração da mão, mas realizam-se em zonas do corpo diferentes).

Esses regionalismos apenas acontecem nalguns gestos, não em todos; o essencial da LGP mantêm-se nas diferentes zonas do país.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Questão sobre a acentuação na língua gestual portuguesa

Olá mais uma vez! :)

Ontem chegou-me ainda esta questão, sobre como fazer a acentuação de uma palavra através da língua gestual portuguesa. Aqui fica a questão que me foi colocada e a minha resposta:


Monalisa, uma curiosidade minha; A acentuação é ignorada na linguagem gestual? ou fazem diferenciação?

Na língua gestual portuguesa ("linguagem gestual" é um termo incorrecto e ofensivo para os Surdos), quando nos deparamos com nomes próprios, vocabulário técnico para o qual não exista gesto, etc... e tivermos que soletrar essa palavra através da dactilologia (alfabeto manual), se essa palavra tiver algum tipo de acentuação, desenhamos a forma do acento (~, ^, ´, ` ) com o indicador a seguir à letra acentuada.

Questão sobre a cadeira de 'Língua Estrangeira' no curso de Tradução e Interpretação de LGP

A lingua estrangeira que se necessita para este curo é mesmo necessario ser Ingles? ou é possivel ter outra?

Quando entrei para este curso, em 2004, a única língua estrangeira que a ESE Porto disponibilizava para os alunos de Trad. e Int. de LGP era somente o Inglês.

Algumas colegas minhas, por terem mais fluência e competências em Francês do que em Inglês exerceram alguma pressão junto da coordenadora de curso e da ESE Porto, pedindo que existisse a opção de Francês como língua estrangeira.

Esse pedido foi aceite e os alunos puderam optar entre Inglês e Francês, pelo que, na carga horária dessa cadeira, a turma estava naturalmente dividida, com alguns alunos a ter aula de inglês e outros a ter aula de francês consoante a opção escolhida.

Isto, nos anos em que lá estudei. Entretanto, algumas mudanças aconteceram (antes de Bolonha, a cadeira de língua estrangeira era anual, e decorria durante 2 dos 3 anos do curso e actualmente, pelo que sei, essa cadeira é semestral e opcional, pelo menos no Porto.)

Para além das informações que aqui escrevi (e que se referem à minha experiência pessoal como ex-aluna desse curso, na ESE Porto), o melhor será contactar a instituição de ensino ou a coordenadora de curso para saber qual a situação actual dessa cadeira e se ainda existe a opção de francês, como quando lá estudei.

Isto, claro, falando da ESE Porto. Quanto às outras instituições que também disponibilizam este curso, não tenho conhecimento para poder dizer se a língua estrangeira disponibilizada é apenas inglês ou existe uma alternativa. Como disse, o melhor será contactar a instituição, que melhor poderá informar.

Questão sobre as saídas profissionais do curso de Língua Gestual Portuguesa

Bom dia! :)

Após mais de 1 mês sem actualizar este blog (férias... ;) ), regresso com as respostas a algumas perguntas que me foram colocadas através do formspring.me, sobre língua gestual portuguesa, e que posto aqui, pois essa dúvida que me chegou pode ser também a dúvida de mais alguém que também visite o blog.
Esta pergunta que me chegou, refere-se às saídas profissionais do curso de Língua Gestual Portuguesa. Aqui fica a questão que me foi colocada e a minha resposta:


Boa noite, Tenho bacharelato em acção social. Que saídas profisionais poderia ter com o curso de lingua Gestual Portuguesa? Obrigada, Dora

Boa tarde .

Não percebi bem se se estava a referir ao curso de LGP a nível de ensino superior ou a uma formação de LGP numa associação de Surdos.

A nível de ensino superior há que diferenciar entre o curso de Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa, na Escola Superior de Educação (ESE) do Porto e o curso de Língua Gestual Portuguesa pela ESE de Coimbra e Setúbal.

Na 1ª situação, o curso de Tradução e Interpretação de LGP confere habilitação para exercer a actividade profissional de intérprete de LGP em escolas, tribunais, autarquias, hospitais, televisão, e associações de surdos.
Pela minha experiência posso adiantar que a maioria do mercado de trabalho para uma intérprete de LGP em Portugal encontra-se no contexto escolar.

Na ESE de Setúbal, de há uns anos para cá que o curso lá disponibilizado se intitulava ‘Tradução e Interpretação de LGP’, conferindo habilitação para intérprete de LGP e portanto, as mesmas saídas profissionais do curso da ESE do Porto.

Recentemente, a ESE de Setúbal abriu o curso de ‘Língua Gestual Portuguesa’ em horário pós-laboral, conferindo habilitação para a docência de LGP nas escolas de referência de ensino bilingue de alunos Surdos.

Em relação ao curso de LGP da ESE de Coimbra, durante o curso, os alunos têm que optar ou pelo ramo da interpretação ou pelo ramo da docência.

Dependendo da vertente pela qual optarem, poderão seguir a saída profissional ou de intérprete de LGP (em escolas, tribunais, associações de surdos, tv, etc.) ou docente de LGP (em escolas).

Se se estava a referir a uma formação que tenha feito numa associação de Surdos ou centro de formação, essas formações não conferem habilitação para exercer a profissão de intérprete de LGP nem formadora de LGP, apenas conferirá uma mais –valia na sua actividade profissional, pois é sempre positivo em qualquer área profissional ter conhecimentos, nem que seja básicos, de LGP.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Questão sobre o curso de tradução e interpretação de LGP

Boa tarde. :)

Chegou-me uma questão pelo formspring.me. Aqui fica a pergunta que me foi feita e a sua resposta. Sintam-se à vontade para me colocar qualquer questão que tenham. :)

Olá. Pretendo candidatar-me ao curso de Tradução e Interpretação de LGP porém disseram-me que, como vou lidar com uma comunidade de surdos, precisava de ter seguido saúde e não o meu actual curso de humanidades. Sabes de alguma coisa? Obrigada. ~ Bruna.

Olá Bruna.
Quem te disse que precisavas de ter seguido saúde e não humanidades para seres intérprete de Língua Gestual Portuguesa?

Eu fiz o curso na ESEP e também tinha seguido a área de humanidades no secundário. Na altura em que entrei no curso de trad. e interpretação de LGP (em 2004) a prova de ingresso necessária era a de português, portanto tanto dava português A como português B e isso ainda se mantém.

Pela minha experiência e a das minhas colegas posso-te dizer que normalmente quem escolhe o curso de tradução e interpretação de LGP é da área de humanidades.

Até porque para se ser intérprete de LGP é importante dominar não só a LGP mas também ter conhecimentos profundos de português porque é sobretudo com essas duas línguas que uma intérprete de LGP trabalha. E ter conhecimentos de línguas estrangeiras também é positivo, para situações de interpretação em conferências internacionais, por ex.

Durante o curso são abordados conhecimentos de linguística da LGP e linguística do português e uma língua estrangeira pelo que ser da área de humanidades ajuda.

Normalmente que está na área de saúde e pretende trabalhar com surdos opta mais pela área de terapia da fala.

Se queres ser intérprete de LGP não há problema nenhum em seres da área de humanidades. A prova necessária é a de português, portanto tanto dá a prova de português A como português B. E, como te expliquei, o ser de humanidades não só não é impeditivo, como até ajuda à profissão de intérprete de LGP. :)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Partículas de ligação e expressões de uso corrente em LGP

Olá a tod@s! :)

Hoje deixo-vos aqui gestos, em Língua Gestual Portuguesa, que correspondem a partículas de ligação e expressões de uso corrente.

São eles os gestos de:

  • agora
  • ainda não
  • aqui
  • assim
  • coisas
  • comigo
  • como?
  • depois
  • fim
  • futuro
  • hora
  • importante
  • mas
  • mais
  • muito
  • não posso
  • nenhum
  • não há
  • o quê?
  • onde
  • passado
  • principal
  • porquê?
  • porque
  • qual?
  • quando
  • quanto
  • quem?
  • se
  • sempre
  • para sempre
  • sozinho
  • talvez
  • também
  • todo o dia
  • todos
  • tudo
  • igual